Existe mercado contábil sem tecnologia?

Existe mercado contábil sem tecnologia?

por Atracto

Ficar estagnado é sinônimo de atraso. Principalmente no setor empresarial. Tanto o empreendedor quanto o empreendimento que não se atualizam correm sério risco de fracassar. Mas existe um mercado para quem quer se manter tradicional, sem recorrer à tecnologia ou embarcar na automatização, característica que vem regendo a inovação no setor contábil. Pelo menos é o que pensa Patricia Sena, diretora do Sescon-RJ e contabilista. “Tem clientes que não se adequam à tecnologia, mas existe um mercado para eles. Só que um mínimo de tecnologia eles têm de usar”, afirma Patricia.

O paradigma que o mercado contábil enfrenta não é só a adequação às novidades eletrônicas e às ferramentas que invadem as empresas e escritórios, mas à adaptação dos profissionais a essas mudanças, segundo a especialista. Mas como o profissional pode se adaptar? O que ele tem de fazer? Como o mercado vem reagindo? Patricia Sena responde. Confira a entrevista, dada durante o 8º ENECONT, um evento de empresas contábeis que aconteceu em novembro, no Rio de Janeiro.

Nos conte um pouco sobre você.

Meu nome é Patrícia Sena, sou empresária contábil no Rio de Janeiro e atuo também como diretora do Sescon-RJ. Os principais clientes que atendo são da área médica, além de clínicas especializadas.

Você, como contadora, sabe que a função mudou muito e o contador não pode se limitar ao papel que vinha sendo desempenhado. Como você vê a profissão hoje?

Eu diria que hoje o empresário contábil está numa mudança de perfil muito grande, principalmente na área ligada à gestão e liderança. Não é mais apenas gerenciar questões tributárias ou técnicas de ordem operacional da empresa contábil, mas sim adotar um posicionamento como empresário contábil, na área de gestão, e também no controle das questões financeiras e estratégicas como um todo, além da parte comercial, elevando o seu nível de especialização para atender toda a gama de clientes.

A tecnologia também vem mudando a área contábil. A contabilidade hoje está totalmente associada à tecnologia?

Eu não diria totalmente associada à área de tecnologia, mas sim que é um misto, onde você junta a tecnologia com a humanização. Porque não tem como você utilizar a tecnologia se não tiver o conhecimento técnico. E não adianta você ter conhecimento técnico e ter a tecnologia se não tiver o manejo para poder utilizá-la. É uma via de mão dupla. É ter a tecnologia e a inovação com o conhecimento e a humanização, que é o fino trato com os clientes e usuários da contabilidade tecnológica, que são os funcionários das empresas contábeis.

Ainda existe resistência no meio contábil quanto à tecnologia? O que vai acontecer com essas empresas?

Eu acredito que, assim como as empresas, de um modo geral, se acomodam, todo negócio tem uma disruptura; mesmo os negócios disruptivos também têm uma certa concorrência com aqueles que não se adequam. Existem os clientes que se adequam às tecnologias e clientes que não se adequam. Porém, existe um mercado também para esse perfil de cliente, que é um pouco menor, um pouco mais reservado – e mais resistente à mudanças, porque assim como existem empresas mais resistentes, também existem os clientes mais resistentes. Mas não tem como você ficar sem tecnologia. Pelo menos um mínimo eles vão usar.

E quanto à sua empresa, como a tecnologia influenciou o negócio?

Principalmente na hora da crise. Porque de 2015 para cá as empresas contábeis, como todos os negócios, tiveram que se reajustar. Perdemos alguns clientes, tivemos de também cortar funcionários, tivemos que fazer uma nova tipologia de atendimento para poder minimizar custos e otimizar também as nossas tarefas internas. Então, com isso, surgiu a oportunidade – onde a gente teve um mercado um pouquinho mais tímido por conta da crise – da gente utilizar a tecnologia para poder se reajustar. Com isso a gente aumentou produtividade e verificou que tínhamos mais horas vagas dentro da própria empresa e que a gente poderia aproveitá-las para outras demandas, como encantar o cliente ou criar novas oportunidades de negócios na área comercial. Então, tudo aquilo que estava um pouquinho parado, a gente teve que mexer durante a crise, e nisso a tecnologia ajudou muito.

Post by Saulo Novaes

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